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Tudo sobre os Vinhos Alemães

Embora a Alemanha possa não ser o primeiro país em que as pessoas pensam quando se trata de vinhos, ela tem muito a oferecer quando o assunto é variedade. Com tamanha variedade, a leitura e identificação dos rótulos de vinhos alemães pode se tornar algo complexo.

Neste artigo vamos embarcar direto para a Alemanha e descobrir que, na terra da salsicha, do “chucrute”, do “joelho de porco”...e da cerveja, a bebida dos deuses também é digna de um belo destaque! Preparado?

As regiões de cultivo

Apesar de não obter destaque nas regiões produtoras de vinho, algumas das plantações mais antigas da Alemanha remontam à era romana. Hoje, ocupando o 10º lugar na produção mundial de vinhos, o país possui 13 regiões vinícolas. Confira abaixo as mais significativas: 

1. Mosel-Saar-Ruwer

Considerada a melhor região vinícola da Alemanha, é o lar dos mais nítidos e delicados Rieslings. O solo de ardósia é a força motriz, criando vinhos magros com acidez penetrante e potencial de envelhecimento. Seus melhores vinhos exibem toques de maçãs verdes, florais e frutas cítricas e notas minerais finas.

2. Rheingau e Rheinhessen

Rheingau possui encostas íngremes e temperaturas um pouco mais quentes, produzem vinhos poderosos e resistentes, com sabores de frutas maduras destacados por profunda mineralidade.

Enquanto Rheinhessen é a maior região vinícola da Alemanha, com terras agrícolas planas e abundantes. A maior parte de sua produção é Liebfraumilch, um vinho branco meio-doce produzido principalmente com uvas Muller-Thurgau.

4. Pfalz

Uma das regiões mais quentes, com grande diversidade de solos, microclimas e castas. Seus vinhos têm sabores ricos e exóticos, incluindo baunilha, frutas cítricas, frutas tropicais e gengibre. Riesling é apenas uma das uvas cultivadas com sucesso, mas há também Gewürztraminer, Weissburgunder e Spätburgunder.

Decifrando os rótulos

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Os rótulos dos vinhos alemães podem ser um pouco intimidantes. Afinal, são tantas palavras longas e difíceis de pronunciar! Mas não desanime, depois de compreender como os termos dos vinhos alemães funcionam, você verá que seus rótulos estão entre os mais descritivos do mercado.

Para começar, você vai perceber que, além da região de cultivo das uvas, a maioria dos rótulos mostra os nomes da cidade e do vinhedo em letras grandes. Por exemplo: Graacher Himmelreich (a cidade de Graach, o vinhedo Himmelreich).

Em seguida, em letras menores, você encontrará os termos de classificação referentes à qualidade. São eles:

  1.   Tafelwein: vinho de mesa, sem complexidade ou potencial de guarda, simples e leves;
  2.   Landwein: vinho regional, deve ter no mínimo 85% das uvas da região;
  3.   Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete (Qualitätswein ou QbA): vinhos de origem controlada, provenientes de uma das 13 regiões vinícolas autorizadas (anbaugebieten). Suas uvas precisam atingir um grau mínimo de maturação (76-90 Oechsle). São vinhos simples para consumo diário. Podem ser trocken (secos), halbtrocken (meio-seco ou ligeiramente doce) ou liebliche (doce);
  4.   Qualitätswein mit Prädikat (QmP) ou Prädikatswein: são os chamados “vinhos de qualidade superior com predicados”, de origem controlada, com uvas que devem atingir um grau específico de maturação, açúcar e teor alcoólico natural. Esse “predicado” é praticamente o grau de maturação ou “doçura” da uva no momento da colheita. A partir daí, eles ganham uma nova classificação:
  5.     Kabinett – colheita realizada com uvas completamente maduras. Gera vinhos mais leves e com baixo teor alcoólico;
  6.     Spätlese – colheita tardia, ou seja, as uvas são colhidas em um período posterior ao considerado ideal. Gera vinhos concentrados e com intenso aroma, mas não especificamente com o paladar adocicado;
  7.     Auslese – uvas colhidas muito maduras, mas apenas os cachos selecionados. Gera vinhos nobres, com intensidade tanto no aroma quanto no paladar. A doçura no paladar não é uma regra;
  8.     Beerenauslese (BA) – uvas sobre-amadurecidas, infectadas pela Botrytis cinerea, a “podridão nobre”, com seleção criteriosa dos bagos. Essas uvas são colhidas apenas em safras excepcionais. Gera vinhos longevos, ricos e doces;
  9.     Trockenbeerenauslese (TBA) – produzidos com uvas extremamente maduras e botrytisadas, que secam por um determinado tempo adquirindo características próximas a de uvas passas. Gera vinhos doces, ricos e nobres;
  10.     Eiswein – também produzido com uvas sobre-amadurecidas como a Beerenauslese, porém não botrytisadas, mas colhidas e prensadas congeladas. Gera vinhos de sobremesa nobres e singulares, equilibrados pela alta acidez, geralmente atingindo preços muito elevados.

As castas de uvas alemãs

O vinho branco é responsável por quase dois terços da produção total de vinho na Alemanha. Embora seja discutível que todos os melhores vinhos do país sejam provenientes da uva Riesling, há outros tantos vinhos que vale a pena experimentar. Vamos conhecer algumas castas?

  •         Riesling – A melhor uva da Alemanha! Originária da região do Reno, tem aroma florido, alta acidez e sabor semi doce;
  •         Muller-Thurgau – Resultado de um cruzamento desconhecido, é amplamente plantada na Alemanha, com altos rendimentos e qualidade baixa a moderada;
  •         Gewürztraminers – Menos de um por cento das regiões vinícolas alemãs são cobertas com vinhas Traminer e sua produção é pequena, tornando o vinho uma especialidade rara. Os vinhos alemães desta casta são de cor amarela clara e levemente ácidos, com notas aromáticas de rosas, mel e laranjas;
  •         Silvaner – Amplamente plantado; bom, mas não ótimo;
  •         Weissburgunder – O mesmo que Pinot Blanc;
  •         Rulander – O mesmo que Pinot Gris;
  •         Spätburgunder – O mesmo que Pinot Noir. A melhor uva tinta da Alemanha, com aromas típicos de frutas vermelhas, como cerejas e framboesas. A Alemanha é o terceiro maior produtor mundial de Pinot Noir;
  •         Blauer Portugieser – Uva para vinho tinto em segundo lugar em importância.
  •         Dornfelder - Uva vermelha que produz vinhos frutados e fáceis de beber semelhantes ao Beaujolais.

Parece complicado? Não deixe a dificuldade do idioma atrapalhar a descoberta desse mundo excepcional dos vinhos alemães. Dedique-se ao estudo dos termos, pois, mais cedo ou mais tarde, certamente você estará familiarizado.

E se decifrar as terminologias dos vinhos é a sua praia, aproveite para se aprofundar a respeito dos vinhos franceses, os vinhos com maior diversidade e complexidade do mundo. Gostou do conteúdo? Conta pra gente, aqui nos comentários, sobre a sua experiência com vinhos alemães?

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Escrito por Bruno Hermenegildo

Bruno Hermenegildo é Sommelier International, formado pela FISAR (Federazione Italiana de Sommeliers), outorgado com o grau de Wine Master nas regiões do Piemonte e Toscana (Itália), graduado como Advanced pela Wine&Spirits (Londres) e também graduado em Gastronomia. Bruno é membro da Confraria dos Sommeliers de São Paulo, a mais concorrida confraria profissional do Brasil.

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